Como é possível sobreviver da escrita no Brasil?

Com a experiência e know-how de um campeão mundial da literatura, Ryoki explica detalhadamente as dificuldades da profissão Escritor no Brasil.

Quero escrever e publicar o meu livro!

Entenda direito como funciona o sistema editorial antes de sair por aí dando tiro para todo o lado.

As Editoras são desonestas no Brasil?

Ryoki que ampliou a sua marca no Guinness Book com o novo recorde mundial de número 1100 "Também se lava com água benta", questiona a honestidade das editoras no país.

O Sebo

Uma crônica sobre os sebos de livros, por Ryoki Inoue

Como é possível sobreviver da escrita no Brasil?

Com a experiência e know-how de um campeão mundial da literatura, Ryoki explica detalhadamente as dificuldades da profissão Escritor no Brasil.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quero me tornar um escritor


Frequentemente tenho recebido e-mails – principalmente de jovens – dizendo que gostariam de ser escritores e o que deveriam fazer para, em definitivo, abraçar essa profissão.
Acho que se me perguntassem o que deveriam fazer para tornarem-se médicos, advogados ou engenheiros, a resposta seria muito mais fácil. Afinal, são daquelas profissões chamadas de “convencionais” que estaríamos tratando. Profissões cujo sucesso depende, em grande parte, de dedicação, esforço, estudo, aprimoramento e – é claro – um pouco de sorte. A tal teoria “em se plantando, tudo dá”.
Não se pode dizer o mesmo para quem deseja ser escritor, mormente num país como o nosso, cuja população praticamente não lê e no qual as coisas referentes à arte são quase sempre vistas através de um olhar enviesado e desconfiado.
Há vários motivos para que essa tão difícil pergunta me seja feita. Surpreendentemente, o mais comum é que os jovens imaginam que a vida de um escritor seja muito semelhante à de uma dessas celebridades do cinema e da TV, que vivem cercadas de holofotes, sempre com as burras cheias de dinheiro, com as carícias da fama e as comodidades da fortuna.
Ledo engano... Devo salientar que, em primeiro lugar, “fama” não obrigatoriamente significa “fortuna”. Segundo, “Paulos Coelhos” são avis rarae, não se encontram pelas esquinas. Um escritor que venha a vender milhões de exemplares, especialmente brasileiro, é um fenômeno editorial que surge na proporção de um em cada século. E, note-se bem, esse sucesso financeiro quase nunca está atrelado a uma excepcional qualidade literária, o que quer dizer que o mérito é muito relativo e tal sucesso está muito mais relacionado à área de marketing do que a qualquer outra coisa.
A esses aspirantes a escritor que vislumbram uma vida de holofotes e dinheiro saindo pelo ladrão, quero dizer apenas que a realidade da literatura é bem diferente... Pode ser que aconteça a fama, pode ser até que a deusa Fortuna venha a lhes sorrir. Porém, o mais provável é justamente o oposto. Essas duas entidades – Fama e Fortuna – haverão de lhes cobrar e muito. É preciso preparo, dedicação, perseverança e, sobretudo, fé e investimento em seu próprio trabalho.
Estamos no Brasil e, como já disse, nesta abençoada Terra de Vera Cruz, as editoras – e editores – não se interessam pelos novatos, não se arriscam em investir a não ser em autores que já contem com um público fiel – e numeroso – capaz de garantir as vendas de livros.
Ao autor incipiente não resta alternativa senão “bancar” a sua própria edição.
A princípio, isso pode parecer cruel, mas no frigir dos ovos, a coisa não é tão ruim quanto parece. Em primeiro lugar, o autor passa a ter absoluto controle sobre a sua publicação, desde o modo como foram feitos a revisão e o copidesque, até a forma de divulgação e vendas dos exemplares.
Boje em dia, com as facilidades que nos apresenta a Internet – como por exemplo as vendas através de livrarias virtuais e divulgação em massa de qualquer produto, livros inclusive – aumentamos em muito as possibilidades de venda daquilo que produzimos. Resta au jovem escritor escolher uma editora que disponibilize divulgação e e-commerce de maneira decente e honesta. Fugir do esquema das grandes distribuidoras é, hoje em dia, uma obrigação, pois pagar 65% do preço de capa para que o livro seja distribuído é, na minha humilde opinião, um verdadeiro absurdo.
Contudo, como digo sempre, a vaidade do autor é um dos fatores que mais atrapalham a “recuperação” do dinheiro investido na produção de seu próprio livro. E isso porque ele quer ver seu livro nas prateleiras de grandes redes de livrarias, quer que um leitor – na maior parte das vezes um leitor amigo – chegue a uma grande livraria, peça seu livro e seja prontamente atendido. É uma vaidade justificada? Até pode ser... Mas tem um preço e este é, via de regra, bem alto. Há livrarias que chegam a cobrar R$900,00 por semana para que um livro seja exposto...
É o mercado... São as novas regras, não há o que fazer...
O autor deve investir em seu trabalho da mesma maneira que um dentista, ao se formar, tem de investir na montagem de seu consultório. Afinal, é uma profissão que está sendo abraçada e isso tem de ter um custo, tem de obrigar a um investimento.
E exatamente por se tratar de uma profissão, da mesma forma que um dentista não vai tratar um canal de graça, um trabalho literário não pode ser gratuito. Daí eu ser frontalmente contra a mania que surgiu entre os novos escritores de escreverem de graça em blogs, por exemplo, com a desculpa de que, dessa maneira, estarão divulgando suas obras. Tudo bem publicarem graciosamente um ou outro artigo, até mesmo elegerem um blog para publicar de graça artigos e comentários. Mas daí a abrirem para quem quiser ler um romance inteiro, o passo é muito grande e, no meu entender, altamente prejudicial.
O novo autor, seja ainda jovem ou já encanecido e maduro cronologicamente, tem de acreditar em seu trabalho e investir nele.
Porém, antes de tudo, tem de ter a certeza de que realmente deseja tornar-se escritor, de que quer abraçar a atividade literária como profissão e não apenas como um hobby.
Tem de saber que precisa estar preparado técnica e culturalmente para poder ter a segurança de não escrever bobagens e precisa estar consciente de que a vida de escritor, mormente no Brasil, não é nada fácil.
Sendo assim, a resposta à pergunta do título deste artigo fica mais fácil de ser respondida:
Se você quer se tornar escritor – mas um escritor de verdade – comece fazendo um curso sobre o assunto. É de extrema importância “estar por dentro” das técnicas e truques para se escrever um livro que seja, ao menos, economicamente viável. Siga persistindo e acreditando em seu sonho. Isso significa não ter medo de “chutar o pau da barraquinha” e até mesmo trocar de vida e de ambições.
Por fim, procure estar amparado por editor que pense no autor. Que veja o autor e seu trabalho e que seja sincero em seus julgamentos.
Então, terei muito prazer em lhe dar um abraço de boas-vindas a este mundo fantástico, o mundo da literatura e lhe dizer:
– Bem-vindo, colega! Lutaremos juntos nesta terrível guerra que decidimos enfrentar!

Por Ryoki Inoue

Como viver da escrita no Brasil

No que pese ser pensamento comum que artista (entenda-se incluídos os escritores) são ricos, que ganham fortunas com a publicação de seus livros e, especialmente quando eles acabam virando filme, o escritor é um tipo de artista muito diferente, incapaz de fazer shows (esta sim, uma grande fonte de receita para os cantores) e, na maioria das vezes, tímido demais até para aparecer em público. Lembremos que uma das características do escritor é ser introspectivo, vivendo num universo particular e quase sempre pouco disposto a compartilhar essa solidão.
No Brasil, e no resto do mundo, a parte que cabe como direitos autorais para quem escreve varia de cinco a no máximo doze por cento do preço de capa de cada livro. Não só é pouco, como também as prestações de contas – quando acontecem – são de seis em seis meses, quando não de ano e ano. Para agravar, este é um país onde ainda se lê pouco. Assim, vender cinco mil exemplares de um romance, por exemplo, é uma árdua e, normalmente, inglória batalha. Porém, suponhamos que o romance escrito pelo autor Fulano de Tal tenha sido um sucesso de vendas e, nos primeiros três meses após o lançamento, ele tenha conseguido vender os cinco mil exemplares tirados a R$45,00 cada um (era um romance com mais de 300 páginas). Após seis meses do lançamento, o Sr. Fulano de Tal receberá a vultosa importância (isso, se a editora realmente pagar) de R$22.500,00. Desta importância temos de descontar o Imposto de Renda (que vem descontado na fonte) e, portanto, sobrarão R$16.312,50 que ele terá de dividir por 6 (ele esperou 6 meses para receber e, durante esse tempo, com sorte, acumulou contas e tudo o mais). A conta dá o preocupante e assustador resultado de R$2.718,75 por mês. Pouco demais se levarmos em consideração que o aluguel de uma casa média não sai por menos de R$1.000,00 e que um plano de saúde familiar também médio não sai por menos de R$500,00. Sobram pouco mais de R$1.200,00 para alimentação, farmácia, vestimentas, luz, água, gás, telefone, etc... Em resumo, não dá. Ou, se dá, esse escritor estaria bem melhor de vida se decidisse dar aulas de economias doméstica ou se fizesse espetáculos de mágica, pois eu não conheço nenhuma mandrakaria que possibilite uma família sobreviver com dignidade e mantendo o status intelectual com uma tal ninharia.
E é importante lembrar que o romance foi um sucesso de vendas! 5 mil exemplares vendidos em três meses não é para qualquer um!
Porém, Fulano de Tal é um autor extremamente otimista e conformado. Ele acha que, uma vez tendo obtido sucesso com seu livro, e a edição estando esgotada, a editora vai se apressar em mandar rodar uma segunda edição. Ledo engano... O editor acha que quem tinha de comprar aquele livro já o fez e que, a partir daquele instante, as vendas não vão compensar o custo de uma reimpressão.
E então? Não há saída? Realmente não é possível sobreviver da escrita?
Há uma saída, embora a maioria dos escritores – e em especial aqueles que ainda são movidos pela maldita vaidade intelectual – não gosta: investir em seu próprio trabalho. Ou seja, acreditar em seu taco.
O autor sendo dono de sua edição, em primeiro lugar não vai investir à toa. Ele procura uma editora séria e um editor honesto que o vai esclarecer sobre os riscos de juma alta tiragem e as desvantagens de tiragens pequenas demais. Isso mesmo! Apesar de uma alta tiragem (acima de 2 mil exemplares) baratear o custo unitário do produto final, leva a um alto risco de encalhe com a dificuldade de vendas. Assim a tiragem ideal é de mil exemplares. Se houver necessidade de mais livros, basta apertar um botão e o custo de uma nova edição dificilmente ultrapassará os 60% da anterior.
Assim fez o Sr. Fulano de Tal. Ele encontrou um editor honesto, proprietário de uma editora que, no pacote, oferecia a divulgação e a distribuição da obra. Diga-se de passagem, o livro ficou bonito, as revisões e copidesque foram criteriosos, a capa era chamativa... O livro pode ser vendido a R$50,00 o exemplar.
Fulano de Tal apertou o cinto, chorou e acabou conseguindo dividir os R$12 mil do investimento em sua obra em quatro parcelas.
Seria duro pagar R$3 mil por mês durante quatro meses, mas era preciso. Se ele fosse dentista, o investimento nos equipamentos e insumos de seu consultório seriam no mínimo dez vezes isso...
Pronto o livro, o editor sugeriu que um lançamento fosse feito, mas não numa livraria (como é o hábito) pois nesta, além de segurar por três meses o pagamento dos exemplares vendidos, fica ainda com uma porcentagem que varia de quarenta a cinquenta por cento dos valores obtidos. E, pior, habitualmente não fica com o livro.
Ajudado pelas sugestões do editor, Fulano de Tal foi conversar com um amigo, dono de uma pizzaria bastante movimentada e combinou para fazer lá o seu lançamento. Não teria de pagar nada, ganharia uma pizza por conta da casa e, de seus convidados, aqueles que quisessem consumir alguma coisa, que pagassem. Todos sairiam ganhando.
Na noite do lançamento, a boa notícia: a pizzaria lotou, todos compraram e foram vendidos nada menos que 150 exemplares. Mesmo antes do lançamento, Fulano de Tal conseguiu vender para parentes e amigos de outras cidades que sabidamente não compareceriam à festa, mais 100 exemplares. Ora, com 250 exemplares vendidos – e recebido o dinheiro correspondente – Fulano de Tal conseguiu reaver com sobra o investimento feito na execução de seu livro. O que viesse depois disso, seria lucro.
Então, muito honesto, sério e amigo, o editor lhe disse que não compensava entregar os 750 exemplares restantes para uma distribuidor, pois esta haveria de cobrar no mínimo 65% do preço de capa. O jeito era confiar nas vendas através do sistema de marketing e distribuição da própria editora, que possuía uma loja virtual e que efetuava bastantes vendas pela internet, retendo 30% do valor das vendas a título de despesas administrativas – o que incluía embalar e remeter pelo Correio as encomendas. E, no correr dos seis meses seguintes, Fulano de Tal vendeu mais 500 livros. Sobraram em suas mãos R$17.500,00. E ainda restaram mais 250 exemplares para serem vendidos e que, uma vez desovados, garantiriam facilmente a segunda edição do livro ou, pelo menos, a metade do próximo romance.
Percebe-se, assim, que é possível viver da escrita no Brasil. Porém, é indispensável investir. É indispensável, também, despir-se da vaidade tola que leva o escritor a querer assinar um contrato com uma editora que vai investir em seu trabalho. E é fundamental encontrar um editor sério e honesto. Sério a ponto de conseguir lhe dizer que seu manuscrito não tem futuro, se for o caso. Honesto a ponto de não querer tomar-lhe o dinheiro, cobrando apenas e tão somente o que em justo pelos trabalhos de revisão, copidesque, preparação, impressão divulgação e venda dos livros.
E, podem ter certeza, esse editor existe. E está muito mais perto do que vocês podem imaginar.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bienal do Livro em São José dos Campos


BIENAL DO LIVRO 2011 SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Neste sábado, 8 de abril, começa a Bienal do Livro, um dos maiores eventos literários em todo o Vale e região! Confira informações atualizadas nos principais Blogs da Bienal:

BIENALDOLIVRO.wordpress.com
e EVENTODELITERATURA.blogspot.com


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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Em abril o principal evento de literatura será a Bienal do Livro em Sâo José dos Campos

Bienal do Livro em São José dos Campos

Afinal, depois de muito tempo sem acontecer, terá lugar em nossa cidade a Bienal do Livro de São José dos Campos. Nossa cidade, realmente, merecia esse evento! A cidade mais importante do Vale do Paraíba teria mesmo de mostrar para o resto do Estado e do país que realmente se incomoda com a cultura e com a sua disseminação.



A nossa bienal do livro acontecerá de 08 a 17 de abril de 2011 e ocupará uma área, no Parque da Cidade, de 10.000 m2 terá 600 editoras representadas, com cerca de 50.000 títulos apresentados para um público esperado de mais de 100.000 pessoas.

Esse importante evento, certamente, posicionará São José dos Campos no circuito dos melhores eventos literários do Brasil, fomentando o hábito da leitura e proporcionando ao público a oportunidade de conhecer e conversar com autores consagrados, além de realizar diversas atividades culturais, participando e interagindo nas mesmas. E, ao contrário do que ocorre em muitas das bienais regionais, a nossa não estará voltada unicamente para Autores e editoras da cidade e região, mas abarcará um espectro nacional, trazendo para cá autores como Moacyr Scliar, Ivan Sant’Anna e Paulo Markun, que estarão abertos para um bate-papo descontraído com o público.

O evento contará ainda com a apresentação de peças de teatro, com oficinas, contação de histórias e shows, principalmente sob os cuidados de Regina Drummond que, numa área de 120m2 apresentará seu mundo mágico para adultos, jovens e crianças. 

Sempre visando despertar nos jovens o interesse pela leitura, a Bienal do Livro de São José dos Campos realiza um pré-agendamento de visitas para estudantes e professores, dando preferência para os dias do meio na semana, quando o movimento esperado deverá ser menor.

Para os estudantes será uma oportunidade de um aprendizado lúdico, fora da rotina das aulas. Além disso, a Secretaria Municipal de Educação disponibilizará Cheques Livro escolar para professores, alunos e salas de leitura, num total de R$738.000,00.

A Academia Joseense de Letras e a Fundação Cultural Cassiano Ricardo abrirão um espaço especial onde autores joseenses poderão mostrar suas obras, divulgá-las e manterem contato direto com seus leitores.

Para os expositores (editores, autores, distribuidores e livreiros) a Bienal trará a possibilidade de abertura de novos negócios, fortalecimento de suas marcas, vendas diretas e contato com os leitores que, na realidade, são os consumidores finais de seus produtos.

E, por fim, quem sairá efetivamente ganhando com esse evento será o público leitor, que terá a possibilidade de estar em contato direto com o livro, fonte básica de cultura e de conhecimento.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Adaptar-se ou perecer


Há vozes (e sábias vozes) dizendo que a maioria das editoras de livros vai se acabar dentro de, no máximo, cinco anos. Levando em conta que está acontecendo uma grande invasão de livros digitais, isso até pode ser verdade. Aquelas editoras que não se adaptarem às novas plataformas de publicação, certamente encontrarão grandes dificuldades para continuar sua trajetória. O livro digital veio para ficar, para marcar época, para substituir.

E, de fato, esse novo formato tem incalculáveis vantagens sobre seu parente em papel. A começar pela Ecologia. Um livro digital não obriga ao abate de árvores, não polui o ambiente com a fabricação fétida da celulose, não consome diesel para o seu transporte e nem fica armazenando poeira e fungos (incluindo ácaros) com a sua estocagem. E nem ocupa espaço. Um simples pendrive pode armazenar centenas de títulos (milhares, até, dependendo de sua capacidade) e um e-reader pode levar em sua memória uma biblioteca de mais de m Il e quinhentos livros).

Porém... Há sempre um porém para atrapalhar.
Na realidade, alguns fenômenos aparentemente inexplicáveis estão acontecendo com os livros digitais.
Um deles é o seu próprio custo. Teoricamente, um livro digital deveria custar, para o consumidor final, no máximo 40% do seu similar em papel. Não é bem exatamente o que estamos vendo. Os preços do livro impresso e do livro digital, incrivelmente parecem estar caminhando para um empate. Na verdade, não é compreensível para os mortais comuns (os leitores, bem entendido) que os custos de produção de uma edição em papel possam ser equiparados ao custo de produção de um livro digital. Afinal de contas, a própria impressão de um livro não é barata e todos sabemos disso. Aliás, esse era o principal argumento dos editores quando da produção de um livro. Agora, tempos mudados, eles alegam que o custo de produção de um livro é de apenas 15% de seu preço final, o resto sendo dividido entre o pagamento dos direitos autorais, custos de distribuição, publicidade e marketing, revendas e a própria editora.

Ora, na nossa humilde opinião e de cima de nossa mais recente experiência com duas promoções realizadas entre dezembro e janeiro últimos, afirmamos que isso é, mais uma vez, mentira editorial.

Mesmo trabalhando em edições sob demanda (o que encarece sobremaneira a produção gráfica), consegui sobreviver durante esses dois meses produzindo unicamente dentro dessas promoções. Explico: tudo é uma questão de negociar os preços das terceirizações. Não é novidade para ninguém que o mercado editorial está muito mais para vendedor do que para comprador. Isso significa que uma grande parte dos serviços que devem ser terceirizados por uma editora (sobretudo as de pequeno porte, que não podem arcar com os custos fixos de profissionais assalariados), podem ser amplamente discutidos, pois todos esses profissionais free-lancers estão atrás de trabalho e podem facilitar seus preços. O mesmo pode ser dito quanto às gráficas no esquema fast graphics, que proliferam por aí, com preços a cada esquina mais favoráveis. É só a editora não ser gananciosa, que dá para fazer preços bastante aceitáveis e até mesmo tentadores, especialmente para os escritores iniciantes e com juízo suficiente para saber que dificilmente venderão mil exemplares de sua obra, mas com certeza venderão duzentos ou duzentos e cinquenta. E que, num esquema de edição sob demanda, não terão de arcar com preços de frete, de armazenamento e outros. E seus livros, devidamente transformados em e-books, estarão disponíveis realmente por quarenta por cento do preço daquele em papel. Sem derrubar nenhuma árvore.

Contudo, como tudo que é bom dura pouco, chega um momento em que as promoções têm fim e o preço sobe. Porém (e aqui esse “porém” não é fator atrapalhante), nós, da Ryoki Produções, continuamos a buscar os menores custos de produção tanto para os livros em papel quanto para os e-books e, com isso, conseguimos alcançar preços que equivalem a menos da metade do preço da concorrência. E, através de pagamento via cartão de crédito, esses valores podem ser divididos em até 12 prestações.

Acreditamos que, com esse nosso modelo de negócio, estaremos contribuindo para que novos autores surjam no panorama literário brasileiro. Luminares como Jair Lopes, Cilas Medi, Alex Brito, Melissa Fernanda, Anna Canavezi, Maira Cherlandes e vários outros.

Nossa missão é proporcionar aos novos autores uma oportunidade de ter um lugar ao sol. Para isso, é claro, precisamos sobreviver. Não ambicionamos lucros espetaculares, apenas precisamos sobreviver para que possamos continuar a abrir portas para os novos autores. Lembrando sempre que qualquer autor, um dia, também começou, também teve de enfrentar e vencer as terríveis barreiras impostas pelo nosso tão deplorável mercado editorial.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

As Editoras são todas desonestas no Brasil?

Recebi, com surpresa, um telefonema do Raul, dono da Editora Summus, reclamando e ameaçando-me de ação judicial e de tirar meu livro do catálogo da editora porque eu disse, no Twitter que TODAS as editoras são desonestas... E ele nem me deu tempo de me justificar, bateu-me o telefone na cara, de modo bastante descortês.

Pisei-lhe no calo, sem a menor sombra de dúvida, pois há já quase 15 anos sou autor da Summus e o Raul jamais ligou para mim e, o que é pior, jamais consegui falar com ele ao telefone, passando de secretária em secretária, num rosário sem fim, para ouvir a indefectível frase: “O sr. Raul está em outra ligação, ele retornará assim que desligar...” e tome esperar por esse retorno que jamais veio.

Talvez, em meu tweet, eu tenha sido generalista demais e tenhas sido injusto para com a Summus. Ela, pelo menos, presta contas semestralmente. O que é estranho, contudo, é o número de vendas apresentado. Baixo demais. E é exatamente isso que surpreende, pois justamente esse livro tornou-se referência em escolas  (faculdades) de Comunicação, tenho recebido centenas de e-mails de estudantes que leram o livro (e garantiram que o compraram), sei de muuuuitas pessoas que o compraram e, em função desse livro, fui chamado a proferir várias palestras (um bom exemplo ocorreu em Vitória da Conquista, em 2008, quando autografei pelo menos cem livros). Assim, é complicado ver uma prestação de contas com valores e números tão baixos. O mínimo que posso pensar é que alguém (distribuidoras, livrarias) está deixando o Raul para trás e ele imagina que esteja vendendo menos do que é verdade.

Mas deixem-me justificar minha suspeita. Atualmente, tenho livros publicados pel Editora Globo (“Saga”), pela Record (“O Fruto do Ventre”), pela Companhia Editora Nacional (“Quinze Dias em Setembro”) e pela Summus (“O Caminho das Pedras” e “Vencendo o Desafio de Escrever um Romance”).

Tente-se comprar o “Saga” em qualquer livraria e a informação é sempre a mesma; “A editora informa que esse livro está esgotado”.  No entanto, na prestação de contas que a Globo me envia anualmente, acusa-se a venda de 02, 05 exemplares... Estranho, não é mesmo? Principalmente sabendo que, no lançamento do livro, eu autografei mais de cem exemplares...

Com a Record a situação é ainda mais estranha, pois uma funcionária da editora (que não vou identificar para não prejudicá-la) disse-me que, mesmo antes do lançamento, o livro já tinha vendido mais de 1.200 exemplares...
E a Record jamais me enviou qualquer prestação de contas.

O mesmo se dá com a Companhia Editora Nacional. Jamais vi uma só prestação de contas.

A Summus, como falei anteriormente, presta contas semestralmente, mas os números são absolutamente incompatíveis com o esperado.

Daí eu ter generalizado, dizendo que TODAS as editoras são desonestas. Desculpe-me o Raul, mas é muito complicado pensar de forma diferente.

E, se ele quiser me processar por difamação e calúnia, que o faça. Será uma maneira ainda mais pesada de meu protesto chegar à grande mídia.

Afinal, não sou um escritor qualquer. Sou, isso sim, um escritor profissional, com nada menos que 1.100 títulos publicados (o lançamento do milésimo centésimo será nesta próxima segunda-feira), detentor de um título do International Guinness Book of Records) e vivo, literalmente, daquilo que escrevo.  Portanto, não posso acreditar que livros que têm sido motivo de tantos comentários via Internet, não vendam o suficiente para justificar uma prestação de contas ou que vendam tão pouco que o pagamento de royalties não sejam suficientes para cobrir uma conta de supermercado. É justamente esse tipo de coisa que desestimula a produção literária no Brasil.

Quanto ao que eu disse em meu Tweet, vista a carapuça quem quiser. Mas seria muito bom que me provasse, por A + B que estou errado e que realmente estou sendo injusto.